terça-feira, 26 de outubro de 2010

Astronave

“E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...”

Cantando de olhos fechados, tentando sossegar o coração. Dar o melhor de mim e, ao mesmo tempo, ter a tranquilidade de sentir para onde os caminhos me levarão. Aceitar esses caminhos e, definitivamente, me convencer de que não tenho o controle de tudo. Acho que há uns anos atrás eu não suportaria este final de ano. Sinto que estou crescendo e começo a entender a razão de alguns sofrimentos. Como eles foram importantes. Sigamos nessa astronave, sem a intenção de pilotá-la... ao menos, não de forma autoritária comigo e com a vida.

domingo, 24 de outubro de 2010

Labirinto

Hoje, acordei e me vi no centro de um labirinto. Olhei para um lado, olhei para o outro e vi diferentes caminhos, uns mais escuros e outros menos. Dei cinco passos na direção de um e retornei. Corri na direção de outro e voltei ofegante, com medo de não mais achar o ponto de partida. Ponto de partida? Isso é realmente importante? Mas para ele voltei. Fiquei na ponta dos pés para me certificar que havia luz no terceiro caminho. Eu sou pequena e, mesmo na ponta dos pés, não consegui ver. Resolvi ir por um quarto caminho e, para minha surpresa, vi uma pessoa conhecida de costas. Era ela, minha amiga de todas as horas. Corri porque sabia que com ela estaria segura. Ela sempre sabia onde ir. Não havia ninguém que se localizasse melhor no tempo e no espaço. Quando estava chegando perto, gritei o seu nome. Ela escutou e, ao olhar para mim, vi uma cor estranha nos seus olhos, uns bichos saindo do seu nariz e um líquido verde escorrendo da sua boca. Naquele momento, o mais importante já não era acertar o caminho, pois percebi que ela precisava de ajuda. Porém, quando cheguei mais perto e vi que ela estava tomada por uma fúria e não era mais a minha amiga querida. Ela abaixou a cabeça e exigiu que eu me afastasse. Voltei para então seguir por outro caminho; um caminho no qual eu não a encontraria mais. Estava eu de novo no centro do labirinto, sozinha. Meu coração parecia uma escola de samba, na agitação e não na alegria. Um batuque, uma angústia, que se transformou em terror. Não restavam mais caminhos. Parei, fechei os olhos e tentei respirar, fazer a escola de samba se tornar uma bossa nova. Percebi que o chão que eu estava sentada tinha se tornado amarelo e sorri. Era um amarelo bonito, daqueles que só por assim alegra a gente. Foi aí que vi que não havia onde ir. Vi que era a hora de ali sentar, escutar o coração e contemplar os diferentes caminhos. Ali e sentei e, até agora, aqui estou.

domingo, 10 de outubro de 2010

Capítulo 4: na rede...

O sol estava quase se pondo. Para ela, essa era a hora mais bonita do dia. Era também a melhor hora para pensar na vida e, por trás da tranqüilidade e silêncio daquele momento, ela se balançava e conversava com os seus próprios pensamentos. E, dentro dela, ria alto – um riso de felicidade, alívio. Agora sim, havia um quê de libertação. Flora já aprendera que algumas histórias, realmente, não tem fim. Ela demorou a entender porque o não ter fim não queria dizer que continuava. Estranho , mas na vida parece mesmo que é assim: não é preciso o “the end” para as luzes se acenderem, levantarmos da cadeira e voltarmos para as nossas casas, para o lugar de onde saímos.

Depois da carta entregue e da resposta dele podia-se imaginar que haveria outros encontros. Não houve. A conversa prometida nunca aconteceu. Ou, ao menos, não aconteceu materialmente. Mas o tempo e os acontecimentos mostraram que não havia mais nada a ser dito, que remetesse aquele passado confusamente vivido.
O sol se pôs e ela simplesmente cochilou, na tranqüilidade de quem está em paz consigo e com a vida.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

é uma dor que dói tanto... mesmo aparentemente não tendo uma grande explicação. dói.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Angústia

Ela procura uma forma de não se angustiar tanto... com horários (pq, mesmo atrasada, acaba chegando antes que todo mundo); com os prazos (pq pode até ser doloroso, mas sempre dá!); com os quilos a mais (pq a angústia aumenta a vontade de comer); com a bateria no meio da sala (pq definitivamente isso não muda e ela também deixa a bolsa e os livros na mesa, as luzes acesas...); com o doutorado (pq a vida já mostrou q as coisas sempre acontecem no tempo certo); com a distância e a saudade dos amigos (pq os amigos mesmo, continuam a ser amigos).

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Entre confetes e serpentinas

O coração acelera. O corpo é tomado por uma resistência tão grande que desconsidera a idade e o tempo de ócio. Dá vontade de abraçar, de encontrar, de perdoar, de viver. Tudo ganha cores, sabores, música e luz. Meu corpo ainda está cansado. Mas meu coração é tomado diariamente por uma saudade. Saudade do brilho e da alegria. Ainda bem que me resta essa saudade.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Intervalo para o almoço

Ando meio feliz, meio entristecida e muito reflexiva. São tempos duros, nos quais algumas alfinetadas vêm me mostrando o que fui e o quanto isso deixou marcas, que eu nem esperava encontrar. Mesmo em pessoas que pareciam entender o meu jeito e o que estava por trás do mesmo.” Aparecer”... sempre me disseram que eu gostava de aparecer. Até admito isso. Não que o aparecer fosse o objetivo final de tudo que fazia, mas, de alguma forma, isso dava sim prazer. Sempre gostei de falar... o silêncio, quando a professora já no primeiro dia de faculdade perguntava quem ia deixar o material na Xerox, me incomodava muito. Eu esperava alguns segundos e não segurava o “eu deixo”. Sempre fui de ter iniciativa. Cresci em uma família assim. Aprendi a ser assim. Passei a faculdade toda escutando lorota de amigos que diziam que, desde o primeiro momento, eu queria aparecer. Ultimamente, venho pensando mais sobre isso e se, em algum momento, isso fez com que eu passasse por cima de alguém. Não consegui, mesmo depois de pensar bastante, identificar isso. Pelo contrário, identifico pessoas que pegaram carona no meu bocão, quando não conseguiam defender uma idéia sua. Ou ainda, que pegaram carona na minha velocidade e começaram a caminhar mais rápido. E que bom que isso aconteceu. Afinal, jamais gostei de caminhar sozinha. De uns tempo para cá, exercito “aparecer” menos, em todos os sentidos. Porque paguei caro por esse “aparacer”. Os (maus) olhos, as más energias, a difamações... procuro, por exemplo, estar em espaços profissionais de uma forma tranqüila. Sem me preocupar em ter visibilidade, em ser eleita delegada de uma conferência, em ser a melhor nisso ou naquilo. Na verdade, sinto mesmo que há um tempo vivo a tranqüilidade de, simplesmente, ser... e levar a minha vida sendo... nos valores que acredito, com as pessoas que acredito. Estando perto o quanto é possível, procurando sempre compreender mais antes de criticar e, quando minha língua se torna maior que minha boca, tentando voltar atrás, me desculpando, mas reafirmando a minha condição de verdade... de ser verdadeira. É isso que me faz estar também “meio feliz”. É por me reconhecer assim que, hoje, escolho seguir. Seguir dando menos importância a pessoas que me aprisionem num lugar que não me pertence, falando de alguém que não sou eu... mesmo que esse “dar menos importância” doa muito, já que me refiro a pessoas que já foram tão importantes. Agora sim, já menos entalada... vou almoçar!