quarta-feira, 23 de março de 2011

Triste?

Triste! É difícil olhar em volta e ser tomada por tanta descrença. É como se o mundo não me surpreendesse mais. As pessoas são marcadas por uma previsibilidade tão grande que chega dá agonia; ou melhor, dá preguiça. Falta disposição para investir e acreditar nas surpresas. A vontade é dormir ou, como já não consigo fazer isso, sumir. Queria que hoje fosse 31 de dezembro: desejo de reveillon e de novos começos. Mas, se não dá, pelo menos espero que esses próximos 15 dias passem logo.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O amor é assim...

Mesmo que, no momento, seja evidente que ele precisará trocar de roupa; mesmo que já não haja mais fogo; mesmo que haja dor. É cuidado, é carinho. É compartilhar o peso e construir o norte, ou os nortes. Tem dias que fico encantada com as potencialidades do amor e feliz por já tê-lo vivido em sua plenitude.

sábado, 19 de março de 2011

Um grito de silêncio*

Às vezes, eu queria ser mais ingênua. Sentir menos aquelas coisas que não precisam ser ditas. Mas “Mãe Edná” insiste em se fazer presente. E eu sinto, simplesmente sinto. Nem quero que o não-dito se torne dito. Hoje, só quero e só preciso mesmo olhar a lua, sossegar o meu coração e introjetar a compreensão de que o que vem "pós-tsunami" nem sempre é melhor do que havia antes.

*tem dias que escrever é a única forma de não explodir.

Arrependimento

Há quem diga que não se arrepende de nada, porque o se arrepender é entendido como se chicotear e sofrer muito por algo que já fez. Eu me arrependo sim!

Estou arrependida por ter corrido demais e, ao correr, por não ter escutado quem me dizia para eu ir devagar. Assim também me arrependo por ter sido tão autoritária, achando que estava sempre certa e, mais uma vez, por não conseguir escutar. Eu me arrependo por toda rigidez, que resultou do meu medo exagerado de me arrepender.

Hoje, me arrependo mesmo! Agora me arrependo sem necessariamente me chicotear. Eu me arrependo, olhando para frente e construindo cada novo passo. E digo mais: caminho sem o terror de não poder me arrepender.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Tsunami no Japão, em mim e em você.



Coisa esquisita essa história de tsunami! Chega e sai levando tudo. As imagens mostram carros e casas, que parecem brinquedos pequenos, perdidos em uma imensidão. Que ironia! A cada minuto, a TV nos mostra o quanto somos pequenos e o quanto não sabemos, ao certo, a dimensão das coisas, antes delas estarem diante dos nossos olhos, tocando a nossa pele. E os olhos puxados? Tá provado que eles podem ficar ainda mais puxados e, para completar, inchados. Quase como um favor, que obstaculiza o movimento de ver e, por conseguinte, sentir tanta dor. Da geografia das pessoas para a psicologia das coisas, na intensidade dos quereres/fazeres, que, quando se toca, são sempre mais intensos do que se espera.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Carnaval



Receber gente em casa tem disso. Foi um carnaval daqueles. Quase como os que vive, quando tinha uns 10 anos a menos. Quatro dias de Olinda, numa alegria só. Amigos, cerveja, boas risadas, boa música... e ainda três noites de folia, duas no Recife Antigo e uma, descentralizando, no Pólo Várzea. Tinha hora que eu simplesmente fechava os olhos e tentava receber as boas energias, vindas de tanta gente que compartilhava as alegrias daqueles momentos. Parecia que eu estava me preparando mesmo para os dias que virão, que já está certo que não serão fáceis.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O meu lugar no mundo

Está cada dia mais claro para mim qual é o meu lugar no mundo. Se eu respirar e apenas procurar perceber os movimentos, o que vem até mim, constato facilmente. O meu lugar é do lado das pessoas que sofrem, muitas vezes, sofrendo para que elas sofram menos. E o sofrimento deve ser aqui entendido em suas distintas dimensões e complexidades. É o sofrimento de quem perdeu alguém querido ou de quem está se sentindo perdido na vida; é o sofrimento de quem deixou de acreditar nas pessoas ou de quem insiste em ser pessoa, mesmo diante de tantas adversidades. É o sofrimento daqueles que tiveram seus direitos violados, de tantas formas. É o sofrimento de quem tenta voltar para o eixo, para o seu próprio eixo. Constatei que o meu lugar era esse após a análise de alguns anos e dos últimos eventos da minha vida. E acho que tem e não tem a ver com ser psicóloga. Talvez ser psicóloga seja uma decorrência; escolher trabalhar com psicologia social, seja outra! Tenha uma amiga que diz que é porque eu sei cuidar. Duvido que exista esse “saber cuidar”. Mas é certo que venho dando um pouco de mim para essas pessoas. E, quando você se dá, parece mesmo que se multiplica, se fortalece. Quando as pessoas são próximas demais, tudo se torna mais difícil. Teve uma pessoa que, além de reconhecer esse meu lugar, me disse que eu tinha que me preparar emocionalmente para ele. Mas como fazer isso? Ainda não sei. Mas sei que é necessário. Porque tem hora que os pesos dos outros se juntam aos seus e a sensação é a mesma que está de pé, afundando.