domingo, 10 de abril de 2011

Sobre casamento

“O casamento tem a energia de um bonsai: uma árvore num vaso, com raízes cortadas e galhos podados. Veja bem, o bonsai pode viver séculos, e a sua beleza etérea é resultado dessa restrição, mas ninguém jamais confundiria o bonsai com a trepadeira que cresce em liberdade” (Elizabeth Gilbert, em Comprometida, p. 190).

A vontade é fechar o livro e abrir uma cerveja.

sábado, 9 de abril de 2011

(...)



Deixo logo claro que a contagem é referente aos dias de aula. Serão 10 dias no total e estou exatamente na metade.

Hoje, não teve aula. Teve só o Rio de Janeiro, bons amigos e o bem que essas coisas me fazem. Poucas palavras aqui. Muitas palavras entre nós, intercaladas pelo silêncio, necessário para contemplar e sentir algumas paisagens.

À noite, casa de Mario e Lucas. Pizza, brigadeiro e mais um monte de boas energias. Tinha um show daqueles, mas hoje escolhi ficar aqui, comigo.

Dia 05: sobre as certezas.

Hoje foi um dia de certezas.
Acordei, certa.
Continuei, certa.
Tem dias que só confirmam o que nós queremos.

Recebi uma ligação, diretamente do almoço coletivo do IASC. Disseram que o almoço foi “natureba” e, por isso, lembraram de mim. Expliquei para Dani, que não há registro de vegetariano que morreu de câncer. Tentei convencê-la que, pelo menos, não comer carne vermelha e frango era um caminho. Mas não acho que surtiu efeito. Fiquei certa de que não preciso mais comer carne mesmo. E tenho que pensar sobre os frutos do mar.

Recebemos os trabalhos da disciplina que cursei nesta semana. Na verdade, dois dos três que realizamos. Foram dois “A”. Veio a certeza que, independente das tempestades, eu to aqui, fazendo a minha parte. Soube dos horários de duas das três disciplinas que precisarei cursar no segundo semestre. Primeira e segunda semana de agosto. Condensadas! Fiquei certa de que vou poder ficar em Recife e que vai dar para cursar.

Recebi uma ligação da minha irmã, outra da minha mãe. Fiz uma ligação para Lariquinha outra para Nelma (que está ótima!). Falei com a Pipoquinha e, quando perguntei o que ela queria de presente do Rio, ela disse: o que você quiser trazer. Fiquei certa de que, mesmo diante de tantas ausências minhas, tem pessoas importantes que ainda estão comigo. Fiquei certa de que não estou e nem estarei sozinha.

Para fechar o dia, cerveja com amigos, na Lapa. Sady, Marcela, Mário e muitas lembranças do tempo em que não havia temor e nem responsabilidade diferente da de construção de uma sociedade menos desigual. É bom compartilhar afeto e história. Foi um abraço forte, que durou a noite toda e deu a certeza de que cada tijolinho que colocamos nesta construção foi importante. Deu certeza também de que a construção continua e que a gente, de alguma forma, ainda está junto nisso.

Sim, como se não bastasse, hoje, escutei o meu coração e ele também me disse, nitidamente, o que eu precisava e que caminho eu deveria seguir. Fiquei certa de que os caminhos podem até ser dolorosos, mas os horizontes são bem bonitos.

Tantas certezas! E o melhor é sentir a leveza de poder duvidar disso tudo amanhã, já já... Mas, hoje, eu estou certa!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dia 04


Parece aquele mergulho no mar de águas cristalinas, quando sobe a areia e fica tudo meio turvo. Você espera um pouco e logo consegue ver o seu pé. É só esperar a areia assentar.

Agora, a sensação é de que as coisas estão se acalmando, dentro de mim e ao meu redor. A cada dia, tenho uma nova idéia e vivo um novo sentimento. E é gostoso perceber o quanto posso simplesmente sentir. Sentir sem pressa. Venho sentindo tudo e muito intensamente.

Senti prazer novamente em andar nas ruas e ver as pessoas daqui. Começo a achar o ambiente mais familiar e já não tenho medo de me perder. Hoje, até parei na frente do IFF e tirei uma foto da paisagem que contemplo todos os dias. Parece que está tudo em bossa nova, passando charmosamente na minha frente.

Recebi a primeira tarefa corrigida e tive a primeira conversa sobre produção de artigo com Romeu. Deu um frio na barriga, com medo de não dar conta de tantas coisas. Mas deu também muita vontade de fazer. Preciso também, efetivamente, assumir o compromisso de construir a tranqüilidade que precisarei ter daqui por diante, para dar conta de todas essas coisas.

Cheguei em casa, ainda com a luz do dia. Estou gostando disso! Tão diferente do que acontece, quando estou em Recife. Fiz algumas ligações para saber como foi o dia do pessoal que lá está. A segurança de saber que faço parte de uma equipe que está a postos, dando o maior duro e fazendo tudo com primazia é boa. Mas hoje deu uma vontade de estar lá, dividindo os pesos, que são enormes.

Saudade! Até do meu trabalho que é tão difícil.

Sentimentos bons e vontade de me sentir feliz!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Dia 03 - porque escrever aqui é uma forma de eu me sentir menos sozinha...

Um pingo de sol, alguns sorrisos e um olhar diferente, a partir do qual tudo vira poesia. Um carioca, com um mp3, escutando funk nas alturas, aqueles táxis amarelinhos (Alá Manoel Carlos), aquela negritude meio dourada das cariocas da periferia, a pressa (muita pressa!), as flores em cada esquina... tudo hoje pareceu um pouco mais bonito.

Foi um dia de boas notícias. Fui contemplada com a bolsa de doutorado e isso quer dizer que conseguirei pagar as passagens, sem comprometer tanto meu orçamento. Essa era uma grande preocupação. Bendita CAPES que agora permite que os bolsistas possam ter vínculo empregatício. Bendito curso que é beneficiado por tantas bolsas!!!

Já as aulas foram mais pesadas. Tudo bem que meu orientador é um querido, mas escutá-lo de manhã e de tarde, quase que sem parar, já é demais. Escutar coisas que já tinha estudado também tornou a tarde bem mais monótona. E, quando assim está, parece que se abrem as portas para a saudade,par a vontade de Recife e de tudo que deixei por lá.

Fechei os olhos e quis aquele abraço imaginário, que vem acompanhado, mesmo com o coração apertado, de uma voz que me diz que o mais importante é que eu esteja bem. Veio aquela vontade de ser simplesmente ser envolvida por esse abraço... Fiquei pensando na vida e imaginando o que ela podia me oferecer, se eu conseguisse ter coragem. Coragem! Muita coisa misturada e sintetizada pela vontade de voltar a viver e ser feliz na vida.

Mas não há tempo para tantos pensamentos. Mais dois artigos, com a tarefa de comparação dos mesmos. Para amanhã! Pressão!

terça-feira, 5 de abril de 2011

Dias 01 e 02

Dois dias de correria das boas. Das boas sim! Eu estava mesmo com saudade de ter que estudar, de discutir coisas, fora da minha lógica utilitária de “o que tenho que ler para fazer isso”.

Estou cursando uma disciplina eletiva para o doutorado e obrigatória para o mestrado, que se chama Pesquisa Qualitativa. Tem uns cinco alunos do doutorado e uns 15 de mestrado. Médicos, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas... interessante tantas misturas e, mais ainda, o caldo que isso dá.

O Instituto Fernandes Figueira (IFF) hoje é considerado um Instituto Nacional da Saúde da mulher, da criança e do adolescente e parece bem conceituado na FIOCRUZ. O prédio não é muito bonito. Nele, funciona uma hospital/maternidade. Você entra e sempre tem mães, esperando na recepção. Detalhe: ainda não vi nenhum pai (xiiiiii... lá vem a chatice feminista!). Se o prédio não tem nada demais, a paisagem da frente tem muito. O IFF é na praia do Flamengo, uma paisagem de cartão postal.

Ontem, pedi para o táxi me deixar um pouco depois do IFF. Queria poder caminha e olhar a paisagem, pelo menos um pouco. Foi só um pouco, mas deu para sentir uma energia boa e com a cabeça, por alguns segundos, tranqüila, deu também para abrir um sorriso – o primeiro desde que cheguei aqui. Sorri lembrando do quanto foi suado chegar aqui, mas sorri por estar aqui. Lembrei de coisas boas, de pessoas importantes e continuei rindo, até entrar no prédio.

Foi um dia de aulas, começando pele ex-ministro da saúde e terminando pelo meu orientador, que por sinal é um querido. Voltei para casa cheia de coisas para ler, mas o turbilhão de coisas que estão acontecendo na minha vida não permitiu que eu fizesse com a qualidade que esperava. Dormi triste, com um pouco de culpa, mas acordei decidida a correr atrás do tempo perdido. E corri!

Não só corri como decidi que não vou deixar que nada estrague esses dias aqui. Esperei dois anos! Esperei que Gabi crescesse para que Lucas pudesse vim comigo. Achei que tinha que pensar mais no “nós” porque o doutorado e o apoio a ele surgiria como uma necessidade da nossa relação. Esperei dolorosamente, vendo pessoas passarem na frente, vendo espaço que podiam ser meus sendo preenchidos. Esperei, mas agora não vou mais esperar.

Lucas não veio comigo. O doutorado não reflete mais um nós. Estou aqui sozinha e a “presença” dele até agora não foi de apoio. Sou eu, comigo e as energias de um punhado de pessoas que disseram “vá... é importante”. Mas vou ficar bem. Eu sei que vou.

Hoje, cheguei em casa mais cedo, com o coração mais protegido contra turbulências. Comprei pão, requeijão Danúbio, queijo minas, morango e uva sem caroço! Subi minha ladeira da misericórdia diária (o prédio que estou é no alto de uma rua), tomei um banho e estou aqui.

Quis escrever, porque um dia quero poder ler isso tudo. Mas tenho que correr: um trabalho para terminar e três artigos para ler.

domingo, 3 de abril de 2011

Dia 00


Hoje foi dia de sentir o coração acelerado e frio na barriga. Vontade de chorar e de desistir. Acho até que, se alguém tivesse me apoiado nesta idéia, teria feito. Teria ficado. Mas vim! Vim porque preciso ser minimamente fiel aos meus sonhos. Vim porque aqui estão flores que eu plantei com muito suor. Acho que vim também porque lembrei o quanto este lugar me faz bem e vim atrás do bem que ele me faz.

Vi o mundo de cima e, mais uma vez, tive vontade de pegar as nuvens. Tentei não deixar nenhum pensamento estacionar na cabeça e me angustiar. Fui pensando em várias coisas, visitando muitas angústias, alegrias e momentos de plenitudes. Quis abrir o computador e escrever sobre isso, na hora. Mas tive medo de transformar aquilo tudo em planos ou regras. Dessa vez, preferi sentir.

Cheguei no Rio e comigo a chuva. Era preciso mesmo que algo acontecesse para eu ter a certeza que fiz o certo e que tudo ia ficar bem. Ao invés de buscar colos, nos tantos amigos, resolvi descansar, deitar e procurar acalmar o meu corpo e o meu coração. Um coração apertado, confuso, cheio de saudades de tantas coisas vividas e de tantas outras que ainda estão aí... para viver. Para vivermos. E aqui estou, depois de umas horinhas de cochilo, no “meu quarto”, escrevendo, olhando pela janela, tentando introjetar e escutar os sons do silêncio e tentando encontrar a tranqüilidade deste silêncio dentro de mim (Essa foto foi tirada da minha janela... um refúgio da natureza na zona sul, em Humaitá).

Amanhã é o dia 01. Aula inaugural com ministro da saúde pela manhã e primeiro dia da disciplina Pesquisa Qualitativa, ministrada pelo meu orientador, à tarde. Vai ser um dia importante.