Foi um final de semana de frio. Um frio que começou por dentro e foi se materializando na fria São Paulo. Esquisito o que essa cidade proporciona. Há um quê de deslumbramento, pelas pessoas, pelos hábitos de vida e pela liberdade de ser. Andar pela Avenida Paulista, descendo pela Augusta é realmente libertador. Mas também há um quê de sufocamento. Porque em todos os lugares há muita gente, porque há trânsito às 22 horas de um domingo.
Eu vim bem menos pelo lugar e mais pelas pessoas. Vim atrás das irmãs que escolhi para mim e de outros tantos amigos que por aqui escolheram viver. Saí do Aeroporto já com Mari, cheguei na casa delas e fiquei por horas deitada no colo de Liu. Fiquei me perguntando como não havia feito isso antes.
Ainda vi Ju Terribili, que não via há uns cinco anos. Vi Mari Pires, Asas, Thiago Pêda, Mayra, Slivia, Rô Valente... foi uma delícia. Programinhas leves, regados a bons vinhos. Conversas gostosas, colos seguros. Pude dividir a vida, escutar e dizer coisas importantes. Em alguns momentos, bateu saudade da minha “vidinha feliz”. Em outros momentos, me deu uma vontade de reviver a liberdade de “ganhar o mundo”, que um dia já foi objeto de tanto desejo, e ser feliz assim.
Fiquei pensando como deixar de lado essa dose de drama que há na minha vida, em como me permitir viver, olhando para frente. Caminhei, escorreguei, mas sei que preciso seguir. Acordei, na segunda-feira, com o coração apertado. Talvez o tarô tenha me mostrado que o momento que vivi é muito mais do que um momento de dor. É um momento de transformação. Transformar o que em quê? Ai, ai, ai...
no gerúndio da mudança, que começa em mim, passa pelos outros, termina e recomeça em mim...
segunda-feira, 6 de junho de 2011
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Em casa...
Foi aqui que tudo começou. O sonho de ter uma casa, de construir uma vida compartilhada. Ela deixou de ser menina para ser mulher. Ele a viu crescer demais e fez o que pôde para caminhar com ela. Para ela, era a primeira vez. Saia de casa, assumia responsabilidades, tomava as rédeas da vida. Ter uma casa era muito mais do que ter um marido.Era a consagração de ser mulher, adulta, independente. Mas ter um marido também era algo importante. Ser feliz com ele? Mais ainda.
Desde a adolescência, quando ela viu o casamento dos pais desmoronar, ela traçou um caminho diferente para ela. Teria que dar certo e por que não ser para sempre? Eles se sentiram escolhidos um pelo outro e por alguma energia que fazia da vida mais vida, quando eles estavam juntos.
Ela amou de forma desmedida e depositou um pouquinho de amor em cada canto dessa casa. Fez da casa um lar, no lar construiu uma família. A sua família. Um sonho, dos mais bonitos... igual ao que foi planejado, lá na dita adolescência. Só faltou uma coisa: o para sempre. O para sempre durou quatro anos. A casa foi lar por dois anos. Agora o desafio é que a família continue sendo família.
Hoje, ela olhou com cuidado ao redor. Sentou no sofá e encheu a cabeça de lembranças. Chorou porque, de repente, voltou a se ver como menina. Mas riu. Riu porque a sensação de ter vivido intensamente traz uma dose de alegria, mesmo quando ainda há um aperto no peito.
Organizou a mudança e olhou pra frente. Ao olhar, encontrou novas paisagens e novos começos. Se sentiu muito cansada, mas viu uma mão estendida,sentiu um abraço apertado e resolveu, com uma certa dose de esforço, seguir.
Desde a adolescência, quando ela viu o casamento dos pais desmoronar, ela traçou um caminho diferente para ela. Teria que dar certo e por que não ser para sempre? Eles se sentiram escolhidos um pelo outro e por alguma energia que fazia da vida mais vida, quando eles estavam juntos.
Ela amou de forma desmedida e depositou um pouquinho de amor em cada canto dessa casa. Fez da casa um lar, no lar construiu uma família. A sua família. Um sonho, dos mais bonitos... igual ao que foi planejado, lá na dita adolescência. Só faltou uma coisa: o para sempre. O para sempre durou quatro anos. A casa foi lar por dois anos. Agora o desafio é que a família continue sendo família.
Hoje, ela olhou com cuidado ao redor. Sentou no sofá e encheu a cabeça de lembranças. Chorou porque, de repente, voltou a se ver como menina. Mas riu. Riu porque a sensação de ter vivido intensamente traz uma dose de alegria, mesmo quando ainda há um aperto no peito.
Organizou a mudança e olhou pra frente. Ao olhar, encontrou novas paisagens e novos começos. Se sentiu muito cansada, mas viu uma mão estendida,sentiu um abraço apertado e resolveu, com uma certa dose de esforço, seguir.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Do deixar de amar
É triste ver o amor se despedir. Porque ele não se despede. Sai, sem avisar...Ele primeiro embaça o olhar. Você não consegue mais ver a pessoa amada. Depois ele confunde as vontades. Por último, ele apaga o fogo. Apaga e sai. Antes de fechar a porta, ele sai chutando todos os últimos sonhos que encontra pela frente. Como é triste ver o amor ir embora.
obs: feliz é a pessoa que deixa de ser amada no mesmo tempo em que deixa de amar.
obs: feliz é a pessoa que deixa de ser amada no mesmo tempo em que deixa de amar.
sábado, 14 de maio de 2011
Desconhecimento?
Pensei em apagar uma postagem anterior, intitulada Desconhecimento, porque hoje ela já faz pouco sentido, mesmo tendo sido escrita há apenas uma semana atrás. É assim que percebo o quanto a minha vida está acelerada e o quanto estou sentindo de forma desgovernada.
Que ousadia a minha achar que conheço ou desconheço as pessoas. Ousadia maior ainda apostar no que está chegando e desconfiar do que tinha de mais certo. Mas as pessoas são assim! Elas escorregam, elas nos escapam... positivamente ou negativamente, elas escapam das nossas expectativas.
Eu tenho medo das pessoas e do mal que elas podem causar a quem dizem que amam. Mas também me fascino, diante do bem que um pequeno gesto pode propiciar. Eu quero voltar a acreditar nas pessoas e sinto que, para isso, preciso começar por mim: acreditar em mim.
Acreditar em mim e no bem que eu posso me fazer, em como posso me cuidar. Não me render as minhas dores, nem as minhas culpas. Ir atrás do que quero e do que vejo hoje que era o sentido da minha vida.
Sentido da vida! Qual seria o sentido da vida? A gente vive para quê? Está aí algo que vem me intrigando. Parece que eu vivia para ele. Claro que com base em tudo que penso sobre as pessoas, sobre o mundo e mantendo muita coerência diante disso. Mas eu vivia para ele sim. E como isso me dava prazer! Gostava de cuidar da casa, da comida, do dinheiro... de tudo. Gostava de ser para ele.
Só que foi exatamente isso que pesou. Pesou e me transformou em um peso, também na vida dele. Fico querendo sair dessa condição, a de peso. E ainda não consigo. Fico lembrando dos momentos que fui/fomos felizes e, ao invés de me sentir feliz, isso me gera angústia.
Na verdade, talvez seja só uma vontade desesperada de voltar a ser feliz, de aliviar a dor que sinto. Ou ainda um desespero maior de constatar que o amor pode não ser suficiente. Desespero!
Antonio (“o” terapeuta) me disse que eu tinha que encontrar o meu tempo e que precisava ser um tempo diferente do desespero. Disse ainda que eu precisava passar pela dor, sem evitá-la, sem minimizá-la. Precisava senti-la. Questionei ele : como se faz isso?
Antonio me fez ver que as pessoas entram na minha vida como bóias. Mas o que não é bóia na nossa vida? Tem dias que é o trabalho, outros dias é a família... a gente sempre procura algo em que se segurar. A dor é quando escolhemos bóias de pouca qualidade. Algumas que parecem bonitas, mas estão discretamente furadas. Antonio se viu obrigado a concordar comigo.
Eu era a bóia dele e ele a minha. E como a gente precisava um do outro e nessa condição! O fato é que há uns dois meses estou nadando, desesperadoramente, me segurando em outras bóias, e isso vem me dando a certeza que, mesmo diante da efemeridade de bóias desse tipo, não havia bóia melhor.
Mas sinto que ela se foi para longe. E isso é realmente angustiante. Eu deixei ela ir. E agora estou aqui, no desafio de viver sem bóias, ou, ao menos, procurar bóias mais resistentes.
Que ousadia a minha achar que conheço ou desconheço as pessoas. Ousadia maior ainda apostar no que está chegando e desconfiar do que tinha de mais certo. Mas as pessoas são assim! Elas escorregam, elas nos escapam... positivamente ou negativamente, elas escapam das nossas expectativas.
Eu tenho medo das pessoas e do mal que elas podem causar a quem dizem que amam. Mas também me fascino, diante do bem que um pequeno gesto pode propiciar. Eu quero voltar a acreditar nas pessoas e sinto que, para isso, preciso começar por mim: acreditar em mim.
Acreditar em mim e no bem que eu posso me fazer, em como posso me cuidar. Não me render as minhas dores, nem as minhas culpas. Ir atrás do que quero e do que vejo hoje que era o sentido da minha vida.
Sentido da vida! Qual seria o sentido da vida? A gente vive para quê? Está aí algo que vem me intrigando. Parece que eu vivia para ele. Claro que com base em tudo que penso sobre as pessoas, sobre o mundo e mantendo muita coerência diante disso. Mas eu vivia para ele sim. E como isso me dava prazer! Gostava de cuidar da casa, da comida, do dinheiro... de tudo. Gostava de ser para ele.
Só que foi exatamente isso que pesou. Pesou e me transformou em um peso, também na vida dele. Fico querendo sair dessa condição, a de peso. E ainda não consigo. Fico lembrando dos momentos que fui/fomos felizes e, ao invés de me sentir feliz, isso me gera angústia.
Na verdade, talvez seja só uma vontade desesperada de voltar a ser feliz, de aliviar a dor que sinto. Ou ainda um desespero maior de constatar que o amor pode não ser suficiente. Desespero!
Antonio (“o” terapeuta) me disse que eu tinha que encontrar o meu tempo e que precisava ser um tempo diferente do desespero. Disse ainda que eu precisava passar pela dor, sem evitá-la, sem minimizá-la. Precisava senti-la. Questionei ele : como se faz isso?
Antonio me fez ver que as pessoas entram na minha vida como bóias. Mas o que não é bóia na nossa vida? Tem dias que é o trabalho, outros dias é a família... a gente sempre procura algo em que se segurar. A dor é quando escolhemos bóias de pouca qualidade. Algumas que parecem bonitas, mas estão discretamente furadas. Antonio se viu obrigado a concordar comigo.
Eu era a bóia dele e ele a minha. E como a gente precisava um do outro e nessa condição! O fato é que há uns dois meses estou nadando, desesperadoramente, me segurando em outras bóias, e isso vem me dando a certeza que, mesmo diante da efemeridade de bóias desse tipo, não havia bóia melhor.
Mas sinto que ela se foi para longe. E isso é realmente angustiante. Eu deixei ela ir. E agora estou aqui, no desafio de viver sem bóias, ou, ao menos, procurar bóias mais resistentes.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Da distância.
Às vezes, é preciso estar longe para perceber a real dimensão das coisas. É da distância que vem a tranqüilidade. É na distância que se dá o exercício da racionalidade, de ver o que realmente é importante. Mas tem que haver uma janela para, mesmo de longe, você continuar acreditando que ainda é possível estar perto. Até porque o destino de toda distância precisa ser deixar de existir. É que a vida brota nas relações de proximidade, de intimidade, onde você se mistura com o outro. É em você, é no outro e é o outro.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Desconhecimento
É estranho você perceber que conviveu quatro anos com uma pessoa e que não a conhece. É muito estranho você vê-la fazendo coisas que você jamais imaginou. Na verdade, eu sempre o admirei por ser diferente e sentia o conforto de nunca passar por isso. Era por isso que o amava tanto. Amava o quanto ele se diferenciava dos outros. Vivi por quatro anos essa ilusão.
Hoje, questiono o que havia de amor nisso tudo. Acho que ele me apresentava cotidianamente uma farsa, enquanto eu confessava todas as minhas fragilidades e as encarava (e me culpava!).
Tenho que concordar que a melhor análise até agora foi a de Tiago, que disse que a gente se apaixonou antes de se conhecer. Se eu soubesse que ele era assim, talvez não tivesse me apaixonado.
O bom é que tudo isso faz com que hoje eu procure viver um novo “nós”. Começo a deixar ele entrar... Olho atenta para como ele se mostra para mim. A cada dia, descubro uma coisa nele... algumas que me seduzem e outras que deixam um tanto desconfiada. E vou seguindo devagar, desviando dos rótulos e curtindo cada pedacinho dessa nova história.
Dessa vez, o “ele” é mais familiar. Um homem lindo, que chegou mexendo na minha vida e nos meus sentimentos. Um homem que me identifico não só por características pontuais, como também pela forma de ver o mundo e de se ver no mundo. E como isso é importante! Um homem que tem sua vida, sua casa, seu trabalho, que dá conta de si; que não é músico, mas adora música (e ainda canta para mim!). Um homem que conversa comigo sobre o meu trabalho, sobre os temas que me interesso e sempre me surpreende com uma colocação que me faz pensar (essas são as melhores!).
Mas ele é também um homem livre demais. Poderia até dizer que é meio escorregadio... não me atende sempre que ligo, não pode me ver sempre que quero. É mais acelerado do que eu e, por conseguinte, parece ter menos tempo do que eu. Mas é também um homem leve. É um homem que me faz rir e que, ultimamente, vem me surpreendendo com um cuidado sutil e bonito. Sem falar na maturidade e na capacidade de escutar as piores notícias.
Hoje, pensei muito nele e o pensar me fez ver tudo isso que acabo de escrever, me fez ter vontade de viver e experimentar esse “nós”, porque é ele que me faz querer e ainda acreditar em um novo “nós”. Só que agora como um “nós” diferente, baseado no conhecer, no admirar, no desconfiar e na possibilidade de, da forma mais genuína, amar.
Hoje, questiono o que havia de amor nisso tudo. Acho que ele me apresentava cotidianamente uma farsa, enquanto eu confessava todas as minhas fragilidades e as encarava (e me culpava!).
Tenho que concordar que a melhor análise até agora foi a de Tiago, que disse que a gente se apaixonou antes de se conhecer. Se eu soubesse que ele era assim, talvez não tivesse me apaixonado.
O bom é que tudo isso faz com que hoje eu procure viver um novo “nós”. Começo a deixar ele entrar... Olho atenta para como ele se mostra para mim. A cada dia, descubro uma coisa nele... algumas que me seduzem e outras que deixam um tanto desconfiada. E vou seguindo devagar, desviando dos rótulos e curtindo cada pedacinho dessa nova história.
Dessa vez, o “ele” é mais familiar. Um homem lindo, que chegou mexendo na minha vida e nos meus sentimentos. Um homem que me identifico não só por características pontuais, como também pela forma de ver o mundo e de se ver no mundo. E como isso é importante! Um homem que tem sua vida, sua casa, seu trabalho, que dá conta de si; que não é músico, mas adora música (e ainda canta para mim!). Um homem que conversa comigo sobre o meu trabalho, sobre os temas que me interesso e sempre me surpreende com uma colocação que me faz pensar (essas são as melhores!).
Mas ele é também um homem livre demais. Poderia até dizer que é meio escorregadio... não me atende sempre que ligo, não pode me ver sempre que quero. É mais acelerado do que eu e, por conseguinte, parece ter menos tempo do que eu. Mas é também um homem leve. É um homem que me faz rir e que, ultimamente, vem me surpreendendo com um cuidado sutil e bonito. Sem falar na maturidade e na capacidade de escutar as piores notícias.
Hoje, pensei muito nele e o pensar me fez ver tudo isso que acabo de escrever, me fez ter vontade de viver e experimentar esse “nós”, porque é ele que me faz querer e ainda acreditar em um novo “nós”. Só que agora como um “nós” diferente, baseado no conhecer, no admirar, no desconfiar e na possibilidade de, da forma mais genuína, amar.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Da racionalidade
Eu queria falar no que sinto agora. Mas é sempre tão difícil encontrar palavras para definir, porque os sentimentos vem sempre misturados. Como em um liquidificador, sacolejando tudo, fundindo tudo. É como se eu fosse me transformando em um todo estranho. E começar a me reconhecer assim faz com o que o inicialmente estranho seja a cada dia mais familiar.
A sensação que tenho é que estou me conhecendo, aprendendo a lidar comigo, ao entender os sentidos que algumas pessoas tem na minha vida. É um exercício doloroso e, ao mesmo tempo, confortante. E vem sendo realizado de uma forma tão serena, que chega me assusto.
Chega de torturas. Digo mais: acho que está mesmo chegando a hora de voltar a viver. Ou melhor, tentar recomeçar a vida, agora de uma outra forma. Dessa vez, estou voltando instigada!
A sensação que tenho é que estou me conhecendo, aprendendo a lidar comigo, ao entender os sentidos que algumas pessoas tem na minha vida. É um exercício doloroso e, ao mesmo tempo, confortante. E vem sendo realizado de uma forma tão serena, que chega me assusto.
Chega de torturas. Digo mais: acho que está mesmo chegando a hora de voltar a viver. Ou melhor, tentar recomeçar a vida, agora de uma outra forma. Dessa vez, estou voltando instigada!
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